O que eu descobri sobre minha baixa autoestima aos 40 anos

A maturidade trouxe experiência, mas não resolveu todas as minhas inseguranças. Neste texto, compartilho como parei de me comparar, questionei crenças antigas e comecei a construir uma relação mais saudável comigo mesma.

AUTOESTIMA

by Ilvia Hortz

9/11/20265 min read

A woman looking at her reflection in a small round handheld mirror
A woman looking at her reflection in a small round handheld mirror

Quando a maturidade não resolve tudo

Existe uma crença muito comum de que, depois dos 40 anos, já deveríamos nos sentir seguros, maduros e confortáveis em nossa própria pele.

Eu mesma acreditava nisso.

Pensava que a experiência adquirida ao longo da vida resolveria naturalmente muitas inseguranças. Afinal, já havia enfrentado desafios, criado meus filhos, construído minha carreira e passado por inúmeras situações que exigiram força e coragem.

Mas a realidade foi diferente.

Após os 40 anos, percebi que ainda tinha muita dificuldade para me expressar, me posicionar e, principalmente, ser autêntica.

Foi uma descoberta desconfortável.

Porque quando algo dentro de nós não está bem cuidado, ele não desaparece com o passar do tempo.

Pelo contrário.

Ele cresce.

E foi exatamente isso que aconteceu comigo.

Durante anos ignorei alguns sinais. Até que chegou um momento em que me senti encurralada pelas minhas próprias inseguranças.

Foi então que percebi que precisava olhar para dentro.

Os pensamentos que ninguém via

Comecei a observar meus pensamentos com mais atenção.

E confesso: o que encontrei não foi bonito.

Eu me comparava o tempo todo.

Quando entrava em uma reunião, pensava:

"Todos aqui são melhores do que eu."

"São mais inteligentes."

"Mais preparados."

"Mais interessantes."

Às vezes nem conhecia as pessoas direito e já estava convencida de que eram superiores a mim.

Hoje percebo que esse era um dos maiores sinais da minha baixa autoestima.

Não porque aquelas pessoas fossem extraordinárias.

Mas porque eu havia me acostumado a diminuir meu próprio valor.

Era como se eu carregasse uma lente que aumentava as qualidades dos outros e diminuía as minhas.

Talvez você já tenha sentido algo parecido.

O pedestal onde eu colocava as outras pessoas

Outra descoberta importante foi perceber que eu colocava muitas pessoas em um pedestal.

Principalmente aquelas que ocupavam cargos importantes, falavam outros idiomas ou demonstravam grande confiança.

Eu as enxergava como seres inalcançáveis.

Como se fossem muito superiores a mim.

Mas, por uma benevolência do universo, a vida começou a me mostrar algo diferente.

Com o tempo, convivendo com pessoas dos mais diversos níveis profissionais, percebi uma verdade simples:

Somos todos humanos.

Todos temos inseguranças.

Todos erramos.

Todos aprendemos.

Todos começamos do zero em algum momento.

A diferença é que algumas pessoas aprenderam a confiar em si mesmas antes das outras.

E isso não significa que sejam melhores.

Significa apenas que desenvolveram uma habilidade que qualquer pessoa também pode desenvolver.

A pergunta que mudou tudo

Uma das coisas mais importantes que fiz foi parar de apontar para fora e começar a olhar para dentro.

Passei a me perguntar:

  • De onde vêm esses pensamentos?

  • Com quem aprendi isso?

  • Por que me sinto inferior?

  • Que crenças estou alimentando?

  • Essa voz crítica está dizendo a verdade?

Foi uma virada de chave.

Porque até aquele momento eu acreditava em todos os meus pensamentos.

Achava que, se eu pensava algo, então aquilo deveria ser verdade.

Mas descobri que a mente muitas vezes cria histórias que não correspondem à realidade.

E algumas dessas histórias podem nos acompanhar durante anos.

O exercício simples que me ajudou

Em determinado momento da minha jornada, decidi fazer um exercício muito simples.

Peguei uma folha de papel e tracei duas colunas.

Na primeira coluna escrevi:

Como estou hoje

Na segunda coluna escrevi:

Como gostaria de ser

Foi como criar um mapa.

De um lado estava minha realidade atual.

Do outro estava a mulher que eu desejava me tornar.

Na primeira coluna apareciam palavras como:

  • insegura;

  • comparativa;

  • tímida;

  • excessivamente preocupada com a opinião dos outros.

Na segunda coluna escrevi:

  • confiante;

  • leve;

  • espontânea;

  • segura da minha capacidade;

  • autêntica.

Quando terminei, tive uma surpresa.

Percebi que grande parte do sofrimento estava sendo criada pelos meus próprios pensamentos.

Não porque eu queria sofrer.

Mas porque havia aprendido a pensar daquela forma.

Sua mente pode estar te sabotando

Essa foi uma das maiores descobertas da minha caminhada.

Nem tudo o que pensamos é verdade.

Repito:

Nem tudo o que pensamos é verdade.

Às vezes a mente cria cenários, interpretações e conclusões que nos limitam.

Ela repete histórias antigas.

Ela busca confirmar crenças antigas.

Ela tenta nos manter dentro daquilo que já é conhecido.

E quando acreditamos cegamente em tudo isso, acabamos vivendo muito abaixo do nosso potencial.

Por isso gosto de fazer uma comparação divertida.

Nossa mente é como um cachorrinho muito inteligente, mas ainda sem treinamento.

Se não houver direção, ela corre para todos os lados.

Mas quando começamos a treiná-la com paciência e constância, ela aprende novos caminhos.

O poder de alinhar pensamento e comportamento

Uma coisa que percebi é que não bastava apenas mudar meus pensamentos.

Eu precisava mudar minhas ações também.

Porque existe uma diferença entre desejar ser uma pessoa confiante e agir como uma pessoa confiante.

Por muito tempo eu esperei me sentir pronta.

Hoje entendo que a confiança surge durante o caminho.

Não antes dele.

Então comecei a praticar.

Mesmo sentindo medo.

Mesmo sentindo insegurança.

Mesmo acreditando que ainda não estava preparada.

Pouco a pouco fui me posicionando mais.

Expressando minhas opiniões.

Aceitando desafios.

Ocupando espaços.

E algo interessante aconteceu.

Minha mente começou a perceber que eu era capaz.

Será que "finja até conseguir" funciona?

Existe uma frase que muitas pessoas conhecem:

"Finja até conseguir."

Durante muito tempo achei essa ideia estranha.

Mas hoje a interpreto de outra forma.

Não se trata de fingir ser alguém que você não é.

Trata-se de praticar comportamentos alinhados com a pessoa que deseja se tornar.

Foi isso que comecei a fazer.

Eu não estava fingindo confiança.

Eu estava treinando confiança.

E quanto mais praticava, mais natural aquilo se tornava.

Como qualquer habilidade na vida.

O que mudou em mim

A transformação não aconteceu da noite para o dia.

Mas aconteceu.

Hoje ainda tenho desafios.

Ainda estou aprendendo.

Ainda estou evoluindo.

Mas percebo uma diferença enorme na forma como me enxergo.

Já não coloco tantas pessoas em pedestais.

Já não acredito em todos os pensamentos que surgem na minha cabeça.

Já não permito que a comparação dirija minha vida.

E, principalmente, aprendi que o meu valor não depende da aprovação de ninguém.

Uma dose de leveza, amor-próprio e esperança

Se você chegou até aqui, quero deixar uma mensagem importante.

Talvez você esteja vivendo exatamente o que eu vivi.

Talvez esteja se comparando.

Talvez esteja acreditando que os outros são melhores.

Talvez esteja carregando uma versão antiga de si mesma que já não representa quem você pode ser.

Se esse for o seu caso, faça uma experiência.

Pegue uma folha de papel.

Crie o seu "de" e "para".

Escreva quem você é hoje.

Depois escreva quem deseja se tornar.

Olhe para essa lista com carinho.

Sem julgamentos.

Sem cobranças.

Apenas com curiosidade.

Foi assim que minha transformação começou.

E posso dizer que vale muito a pena.

Porque do outro lado da baixa autoestima existe uma vida com mais confiança, mais autenticidade e uma dose generosa de leveza, amor-próprio, alegria e esperança.