As Raízes da Autoestima Feminina

Você não nasceu insegura. Muitas mulheres aprenderam a duvidar de si na infância. Mas autoestima também pode ser reconstruída.

BEM-ESTAR EMOCIONAL

9/18/20264 min leer

As Raízes da Autoestima Feminina

Muitas mulheres da minha geração, especialmente as que hoje estão na faixa dos 40 anos ou mais, cresceram ouvindo frases como:

  • Fique quieta.

  • Não responda.

  • Pare de aparecer.

  • Não faça escândalo.

  • Engula o choro.

E assim, sem perceber, aprenderam que ocupar espaço era errado.

Mas a verdade é que muitas mulheres não nasceram inseguras.

Elas aprenderam a duvidar de si mesmas.

A autoestima não começa em nós

Por muito tempo pensei que havia algo de errado comigo.

Eu me perguntava por que era tão difícil acreditar em mim, por que eu precisava tanto da aprovação dos outros e por que, muitas vezes, aceitava situações que me machucavam.

Com o tempo, entendi algo importante:

A autoestima não nasce do nada.

Ela é construída dentro dos relacionamentos que vivemos na infância.

E para entender minha própria história, precisei olhar para a história da minha família.

Quando nossos cuidadores também estavam tentando sobreviver

Eu cresci em Curitiba, no bairro Tatuquara, em uma família simples de classe trabalhadora.

Meus pais se tornaram pais muito jovens. Como milhares de brasileiros, fizeram o melhor que podiam com os recursos, conhecimentos e experiências que tinham naquele momento.

Mas a história deles começou muito antes deles.

Meus avós maternos enfrentaram dificuldades extremas. Minha avó perdeu a mãe ainda jovem e precisou trabalhar desde criança para ajudar na própria sobrevivência. Meu avô perdeu o pai cedo, cresceu em condições de grande vulnerabilidade e assumiu responsabilidades muito cedo para sustentar a família.

Do lado paterno, a história também carregava marcas profundas. Minha avó viveu situações difíceis dentro de casa. Meu avô perdeu a mãe ainda criança e precisou enfrentar uma infância marcada pela pobreza, pelo trabalho pesado e pela escassez.

Hoje, quando olho para essas histórias, não vejo fraqueza.

Vejo pessoas tentando sobreviver.

Vejo homens e mulheres que aprenderam a ser fortes antes mesmo de aprenderem a ser acolhidos.

O amor existia. A informação não.

E aqui existe algo muito importante.

Apesar de todas essas dores, eu fui amada.

Lembro da minha mãe, das minhas avós e das minhas tias com enorme carinho.

Elas foram mulheres fortes, cuidadoras e generosas.

Recebi afeto.

Recebi cuidado.

Recebi amor.

Mas elas não tiveram acesso aos conhecimentos sobre inteligência emocional, desenvolvimento humano e autoestima que temos hoje.

Elas aprenderam sobre a vida observando a própria vida.

Foram, de certa forma, cientistas naturais do comportamento humano.

Faziam o melhor que sabiam fazer.

O problema é que o amor, sozinho, nem sempre consegue curar feridas que nunca foram compreendidas.

Porque pessoas machucadas também ensinam, sem querer, suas próprias dores.

A autoestima que aprendi

Meus primeiros professores foram os adultos que me criaram.

E foi com eles que aprendi minhas primeiras lições sobre valor pessoal.

Em muitos momentos, era normal:

  • Não elogiar.

  • Não validar emoções.

  • Não falar sobre sentimentos.

  • Ouvir "isso é frescura".

  • Receber críticas com mais facilidade do que reconhecimento.

  • Ser discreta a ponto de se tornar invisível.

Sem perceber, fui construindo uma crença silenciosa:

"Não incomode."

"Não apareça."

"Não tenha muitas vontades."

"Não ocupe espaço."

E quando uma criança aprende isso repetidamente, ela pode crescer acreditando que seu valor depende de ser pequena.

A frase que explica muita coisa

Existe um filme que retrata isso com muita sensibilidade: As Vantagens de Ser Invisível.

Uma das frases mais conhecidas do filme diz:

"Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer."

Quando ouvi essa frase pela primeira vez, ela me atravessou.

Porque entendi que não era apenas sobre relacionamentos amorosos.

Era sobre autoestima.

Era sobre o quanto nossas experiências moldam a forma como enxergamos nosso valor.

A descoberta que mudou minha vida

Hoje entendo que eu não nasci insegura.

Eu aprendi a ser insegura.

Assim como aprendi a duvidar de mim, também pude aprender a confiar.

Assim como aprendi a me diminuir, também pude aprender a me valorizar.

A verdadeira transformação começou quando percebi que minha história explicava muitas coisas, mas não precisava determinar meu futuro.

E essa busca por respostas não aconteceu da noite para o dia.

Foi um processo.

Uma caminhada.

Às vezes lenta.

Às vezes dolorosa.

Mas profundamente libertadora.

Porque toda pergunta feita com sinceridade encontra uma resposta no tempo certo.

Se você chegou até aqui..

Talvez você também tenha crescido acreditando que precisava ser menor do que realmente é.

Talvez tenha aprendido a agradar para ser aceita.

Talvez tenha confundido amor com sofrimento.

Mas quero deixar uma mensagem para você:

Você não nasceu insegura. Você aprendeu a duvidar de si. E tudo aquilo que foi aprendido também pode ser transformado.

Sua história merece ser compreendida.

Sua voz merece ser ouvida.

E você merece ocupar o espaço que é seu.

Sobre a Autora

Ilvia Hortz é fundadora do Uma Mulher Real, um espaço criado para compartilhar reflexões, aprendizados e experiências sobre autoestima, autoconhecimento, bem-estar e os desafios das mulheres 40+. Como mulher, mãe e apaixonada pelo universo do desenvolvimento emocional, acredita que cada fase da vida traz novas oportunidades de crescimento e transformação. Por meio de seus conteúdos, busca acolher, inspirar e incentivar outras mulheres a se reconectarem com sua essência, fortalecerem sua autoestima e viverem de forma mais autêntica e consciente.